Autores de narrativas, poemas e outros textos
domingo, 11 de setembro de 2011
ZIMBÁBUE: UM DOSSIÊ DE PROBLEMAS “GEOPOLÍTICOS”
Num continente em que pelo menos dez países estão entre os piores do mundo em matéria de critérios sociais políticos e econômicos, o Zimbábue é uma síntese da pobreza que caracteriza a África. O país apresenta renda per capita anual abaixo de US$ 1.000, expectativa de vida inferior aos 50 anos, índice de analfabetismo acima de 40 % da população, inflação projetada de 165.000% ao ano e mais de 5% da população com AIDS. Em meio a esse cenário de miséria impressionante, os 12,3 milhões de habitantes do Zimbábue ainda convivem com a violência e a instabilidade política.
Os problemas que afligem o Zimbábue, de certo modo, se reproduzem em boa parte da África Subsaariana- parte sul, negra, e mais pobre do continente - e são resultado das mal resolvidas contendas políticas, econômicas e sociais de origem geopolítica herdadas do período colonial. Um exemplo desse cenário foi durante a dominação das metrópoles européias sobre as colônias africanas, durante o século XIX e XX, que muitas vezes baseavam-se na estratégia de "dividir para dominar", em que os europeus desprezavam a diversidade cultural, étnica e religiosa e, em certos casos, determinados povos recebiam tratamento privilegiado das potências européias, recebendo apoio para lutar contra outros grupos étnicos, o que alimentou as disputas pelo poder e a desigualdade presente nos conflitos atuais, visto como estratégia de dominação do território em busca de riquezas minerais, rico até hoje em minérios e petróleo.
Outra questão da intervenção internacional na África de origem geopolítica foi durante a Guerra Fria. Na segunda metade do século XX, o cenário político internacional favoreceu a independência das colônias africanas. A hegemonia global passou a ser disputada pelos Estados Unidos (EUA) e pela União Soviética (URSS), que eram favoráveis à descolonização africana para poder exercer sua influência numa região dominada pela Europa.
O panorama atual mostra que apesar da soberania alcançada oficialmente, na prática, o Zimbábue e a maioria da África Subsaariana continuam tendo seus rumos largamente conduzidos a partir do exterior.
Neste contexto, o Zimbábue e a maioria da África Subsaariana sofrem o que os geopolíticos definem como "Novo Colonialismo", uma vez que o atual modelo econômico é alvo de comparações com o processo de colonização pelo qual o continente passou nos séculos XIX e XX, em que nações de outros continentes realizam intervenções de paz e apaziguamento político e social em prol de seus interesses geopolíticos.
Atualmente, cresce a olhos vistos na África a presença da China, a principal economia emergente do século XXI. Desde 2000, o comércio dos chineses com a África aumentou quase dez vezes, chegando a 107 bilhões de dólares em 2008. A estratégia chinesa tem como principal objetivo ampliar seu acesso aos recursos energéticos da região. Cerca de um terço das atuais importações de petróleo e minério vem da África. Em troca dos produtos, os chineses constroem pontes, estradas, hospitais, escolas além de oferecer vantajosos empréstimos aos países africanos. As relações comerciais entre a China com esses países avançam em razão do comportamento chinês diante dos regimes políticos africanos, de certa forma neutros ou colaborativos, embasada em "não interferência" uma vez que a China adota um princípio de não ingerência nos assuntos internos das nações com as quais negocia. Essa postura Chinesa levanta um problema ainda maior, pois incentiva os conflitos e o "derramamento de sangue", pois a China não se preocupa com os problemas sociais, mais sim com os recursos naturais, sendo indiferente com os embates entre grupos rivais, diferente dos EUA e outros países que procuram aliar a exploração com o apaziguamento social, evitando os conflitos.
Outros países também "investem" na relação de "boa vizinhança" com interesses estratégicos. Países europeus como a Inglaterra possuem um relacionamento comercial histórico com nações africanas como o Zimbábue por conta do país concentrar grande número de jazidas de cobre, ouro, ferro entre outros minerais. Além disso, os EUA também realizam ofensivas comerciais, diplomáticas e militares no continente Africano. Para reduzir a dependência do instável Oriente Médio, os norte-americanos aproximam-se de países africanos com seus objetivos geopolíticos. O Brasil também realiza ações diplomáticas estratégicas, importando de países africanos principalmente petróleo e minérios.
Em suma, podemos concluir que o Zimbábue e a África Subsaariana mostram a fragilidade das instituições e a corrupção que ajudam a perpetuar a desigualdade social fazendo com que nações de outros continentes interfiram em problemas políticos, sociais e econômicos com estratégia geopolítica de influência, contribuindo para que os rumos dos países africanos fiquem largamente conduzidos a partir do exterior, dependendo da ajuda externa mundial. É preciso que países como os EUA e as potências ocidentais e orientais possam interferir nas relações diplomáticas levando em consideração a conservação da paz e da humanidade, sem fundamentos ou interesses geopolíticos, o que é difícil de ser realizado em um mundo capitalista e unilateral.
Por Maurício Policarpo
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário