Um companheiro
Era dia 12 de agosto de um domingo.
Para quem decora datas especiais já
deve ter notado que não era um domingo qualquer, mas sim o domingo do “Dia dos
Pais”.
Claro que, como sou uma boa filha, fui
logo pela manhã dar presentes e muitos beijos e abraços no meu querido pai.
O dia já estava programado, dar
muitas voltas pela cidade e terminar com um delicioso sorvete do centro.
Foi passando pelo lago municipal que
percebemos que estava tendo um evento de carros antigos sendo exibidos para a população
baririense e, como era um dia especial para os pais e meu pai sendo louco por
carros, não poderia acontecer outra coisa senão pararmos para apreciá-los.
Naquele instante meu pai voltou à
infância, virou um daqueles meninos que andam
sempre com um carrinho na mão e fazem dos muros das casas a maior pista
de carrinho e também a mais emocionante de sua imaginação.
Mas dentre todos os carros que ali
estavam, apenas um conseguiu pará-lo por mais de meia hora.
Não era o mais bonito, na minha
humilde opinião, tinha uma cor desbotada, estava toda enferrujada, até mesmo o
próprio carro suplicava por uma reforma.
Depois de tanto julgar o carro só
ouvi meu pai falando alto em seu pensamento.
-Meu companheiro de longas datas, foram tantas
as aventuras, pneu furado na rua VII de Setembro, falta de gasolina na rua XV
de Novembro, até mesmo chuva em frente à Matriz.
Para uns pode até ser um simples
carro, mas para mim sempre será precioso.
Bianca Leonel Rocha
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