Tempos em que direitos humanos valem menos que os de transmissão
Desde quando o homem passou a viver em sociedade sempre
houve segregação socioespacial. Hoje em dia, mais do que nunca, ela é evidente
em nosso cotidiano.
Provavelmente, o maior desses motivos seja a questão
econômica. O acesso à cultura, conhecimento e até mesmo informação é bem
restrito a quem é capa de pagar por eles. Assim, vamos separando o povo de
acordo com seu poder aquisitivo e impedindo camadas mais pobres de disporem dos
mesmos benefícios que os demais, haja vista que aquele que mora na palafita não
é o mesmo que vai assistir a uma peça teatral todo mês.
Em referência à economia, podemos citar ainda uma maneira de
segregação recorrente durante realização de grandes eventos, tais como
festivais musicais ou competições esportivas, para não afugentar o público,
mendigos e dependentes químicos são varridos como lixo das ruas, fingindo uma
solução que, na verdade, inexiste.
Diversos outros fatores tornam-se motivo de separação: o
gordo é colocado fora dos padrões de beleza; ao portador de deficiência não é
oferecido transporte público que se adapte às necessidades, quiçá uma rampa nas
ruas do centro; pessoas sem parceiro fixo são consideradas promíscuas;
homossexuais são impedidos de entrar em estabelecimentos ou mesmo violentados
como forma de “correção” à sua opção sexual; nordestinos são taxados como
“ladrões” de empregos nas regiões mais ao sul do Brasil, onde oportunidades lhe
são negadas. E esses são só alguns dos possíveis exemplos.
Para a reversão desse quadro, cabe ao Estado trabalhar
melhor a questão da acessibilidade, facilitar nas condições para que todos
desfrutem de igualdade de direitos. Quanto aos civis, ao invés de excluir o
próximo pelas diferenças, aproximá-lo pelas semelhanças será o correto.
Rafael Trento Viccari
Prioridades
Eventos internacionais, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas
têm grande aceitação em todo o planeta e são motivo de festa, alegria e,
principalmente, de movimentação financeira nos países que sediam essas
celebrações. O que as pessoas geralmente não sabem é o que ocorre por trás de
tudo isso. Os problemas sociais e de festão são escondidos e custam a ser resolvidos.
Na maioria das vezes, o governo ignora esses empecilhos, que
estão diretamente ligados ao tráfico, às drogas, à violência, ao crime
organizado, problemas estes que afetam e prejudicam o turismo e a imagem do
local hospedeiro.
Há também o fato de que a mídia não apresenta interesse
nenhum em divulgar aquilo que é considerado “vergonhoso e negativo”. Por isso,
são construídos muros ao redor das favelas, a fim de separar a população mais
obre do restante da sociedade. Além disso, são feitos acordos com os líderes do
tráfico e da bandidagem para que estes não se manifestem durante o período dos
jogos.
A última copa aconteceu no ano de 2010, na África do Sul e
mais tarde na revista Fórum, foi publicada uma reportagem que denunciou o abuso
contra mulheres, fato que foi escondido, na época, para criar uma falsa ilusão
sobre a realidade monstruosa que está presente lá.
Para solucionar esses problemas é preciso que o governo,
além de investir em estruturas, cuide das deficiências sociais, e dê suporte à
parte mais carente das periferias a fim de amenizar essa de amenizar essa
situação de miséria e pobreza.
Natália Amoroso Ferrari
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