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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

O que é existir?


Responderei essa questão com uma pergunta: como posso saber o que é existir se eu não existo? Ora, pois, pergunte a um peixe o que é o seco e veja se ele saberá responder (admita que falássemos a mesma língua).
     Isso mesmo, eu e talvez até mesmo você não existamos. Vamos partir da seguinte reflexão: quem sou eu? Eu sou o Sergio? Sim? Será? Para o sistema eu sou o aluno 102009325-0/SP, a pessoa física n° 446277138-94, o eleitor n° 424813100167, ou ainda o brasileiro n° 53472225-8.
     Agora, uma outra pergunta: sou um ser humano ou um número? Me tratam (nos tratam) como números. Se sou um número gay, daqui a 28 horas, em média, tenho chances de ser  +1 na estatística dos LGBTT mortos. Se sou um número negro, tenho chances de ser +1 na estatística dos "mortos simplesmente por serem negros". Se sou um número mulher, tenho chances de ser +1 na estatística das "violentadas pelo pai", "violentadas pelo tio", "violentadas pelo desconhecido".
     Somos tão insignificantes. "Somos", eu e você. Discorda? Pois bem: estamos condenados a viver em uma rocha de bilhões de anos que fica flutuando pelo espaço em torno de uma estrela. Analise friamente a infinitude do espaço e do tempo. Vivemos, em média, no máximo 70 ou 80 anos; comparados ao espaço somos menores que uma partícula subatômica. Muitos de nós são tão insignificantes que passam a vida preocupados em mostrar o que "tem", o que "podem". Aliás, tem (ou podem ter) o quê? Dinheiro? Ridículos! São donos do capital mas não são donos de si mesmos. Você controla o que sente? Controla o que pensa? Controla o que sua memória irá arquivar ou o que irá simplesmente esquecer? É mesmo dono de si?
     As pessoas são ingênuas na interpretação da filosofia socrática "penso, logo existo." Não pensamos, pensam por nós. Nosso sistema educacional tenta padronizar o pensamento ao nos dizer que há apenas uma resposta correta para cada pergunta, e, se discordamos, somos reprovados. Percebeu? Nossos pensamentos são padronizados, não são originais.
     "Não temos um pensamento autônomo, logo, não existimos."


     P.S.: Este texto não é generalizador, se você se sentiu ofendido(a) ao lê-lo, por favor, reflita se você realmente existe.

Sérgio Souza

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