Responderei essa questão com uma pergunta: como posso saber o que é existir se eu não existo? Ora, pois, pergunte a um peixe o que é o seco e veja se ele saberá responder (admita que falássemos a mesma língua).
Isso mesmo, eu e talvez até mesmo você não existamos. Vamos partir da
seguinte reflexão: quem sou eu? Eu sou o Sergio? Sim? Será? Para o sistema eu
sou o aluno 102009325-0/SP, a pessoa física n° 446277138-94, o eleitor n°
424813100167, ou ainda o brasileiro n° 53472225-8.
Agora, uma outra pergunta: sou um ser humano ou um número? Me tratam
(nos tratam) como números. Se sou um número gay, daqui a 28 horas, em média,
tenho chances de ser +1 na estatística
dos LGBTT mortos. Se sou um número negro, tenho chances de ser +1 na
estatística dos "mortos simplesmente por serem negros". Se sou um
número mulher, tenho chances de ser +1 na estatística das "violentadas
pelo pai", "violentadas pelo tio", "violentadas pelo
desconhecido".
Somos tão insignificantes. "Somos", eu e você. Discorda? Pois
bem: estamos condenados a viver em uma rocha de bilhões de anos que fica
flutuando pelo espaço em torno de uma estrela. Analise friamente a infinitude
do espaço e do tempo. Vivemos, em média, no máximo 70 ou 80 anos; comparados ao
espaço somos menores que uma partícula subatômica. Muitos de nós são tão
insignificantes que passam a vida preocupados em mostrar o que "tem",
o que "podem". Aliás, tem (ou podem ter) o quê? Dinheiro? Ridículos!
São donos do capital mas não são donos de si mesmos. Você controla o que sente?
Controla o que pensa? Controla o que sua memória irá arquivar ou o que irá
simplesmente esquecer? É mesmo dono de si?
As pessoas são ingênuas na interpretação da filosofia socrática
"penso, logo existo." Não pensamos, pensam por nós. Nosso sistema
educacional tenta padronizar o pensamento ao nos dizer que há apenas uma
resposta correta para cada pergunta, e, se discordamos, somos reprovados.
Percebeu? Nossos pensamentos são padronizados, não são originais.
"Não temos um pensamento autônomo, logo, não existimos."
P.S.: Este texto não é generalizador, se você se sentiu ofendido(a) ao
lê-lo, por favor, reflita se você realmente existe.
Sérgio Souza

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